quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Feliz Ano Velho



O ludismo foi um movimento criado na Inglaterra em 1811 por operários contrários as tecnologias da época. As máquinas conseguiam fazer o trabalho de dezenas, ou centenas de funcionários, e isso gerou várias revoltas de trabalhadores braçais, sendo a mais famosa a revolta de um grupo de alfaiates londrinos que, armados com cassetetes invadiram uma fábrica de máquinas de tear destruindo 16 teares já prontos para entrega.
Não se sabe ao certo a origem do nome "ludismo", mas alguns historiadores atribuem esse nome ao operário Ned Ludd, que num momento de raiva teria quebrado várias máquinas de seu empregador.
Sendo assim, o ludismo é caraterizado como movimento contra inovações tecnológicas capazes de realizarem a tarefa de vários homens, e tem como principal argumento a manutenção de empregos, sobretudo do trabalhador braçal. Já dá pra perceber que esse movimento ainda existe nos dias de hoje, e é mais forte que imaginamos. Um exemplo disso ocorreu na sessão da câmara de vereadores de São Paulo na noite de ontem, dia nove de setembro. Por imensa maioria de votos o aplicativo Uber foi proibido na maior cidade brasileira. A desculpa para isso foi o emprego dos taxistas.
Talvez o maior nome do ludismo no Brasil seja do ministro de ciência, tecnologia e inovação, Aldo Rebelo, do partido comunista. Quando deputado, em 1994, o ministro apresentou projeto de lei que proibiria a adoção de tecnologias que substituam mão de obra humana em repartições públicas. Parece uma lei justa, certo? Mas imaginem se as máquinas de tear, as colheitadeiras e os computadores também tivessem sido proibidos com o mesmo propósito. Imaginaram? Onde estaríamos? Em que década? Quantas pessoas a mais precisaríamos nas malharias, lavouras e pecuária para conseguirem produzir alimentos e roupas para todos? Quantas pessoas a menos teríamos trabalhando em outras áreas também importantes na sociedade, como criação de novas tecnologias, medicina, farmácia e outros ramos? Para terem uma ideia disso, a 50 anos atrás era necessário que, de cada 100 americanos ao menos 20 trabalhassem em plantações e criações para alimentar o país. Hoje são necessário apenas 4 de cada 100 americanos. Os números no Brasil desconheço. Creio que nunca foi realizado tal pesquisa por aqui.
E, sem os computadores e seus softwares de automação? Quantas pessoas a mais precisaríamos dentro de bancos, cartórios e repartições públicas para tornar nossas vidas mais cheias de burocracias? E outra vez, quantas mais faltariam em outras áreas? Já imaginaram a proibição de semáforos para proteger o emprego do guarda de trânsito?
Bom, creio que basta de exemplo de como o ludismo, apesar de ter uma justifica "boazinha" pode ser responsável pelo atraso econômico de uma nação inteira. Riqueza se produz, e sempre surgirão Henry's Ford e Bill's Gate para criarem algo para serem produzidos em larga escala, exigindo cada vez mais uma demanda maior de mão de obra. Entendam que o mercado não é um jogo matemático de soma zero, como o banco imobiliário. Riquezas são geradas, geralmente a partir de ideias, e para que novas ideias possam continuar surgindo, o mercado deve ser o mais "livre possível", sem intervenções medievais como a que vimos em São Paulo, com a proibição do Uber. Se tomarmos os vereadores paulistanos como exemplo, para não sermos hipócritas, vamos começar desativando nossas contas em redes sociais e vamos até o mercado da esquina comprar caderno e lápis para registrarmos nossas ideias. De volta ao diário de papel (para desespero das árvore), de volta com as foices, machados e tacapes. Feliz ano velho.

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