quarta-feira, 23 de setembro de 2015


A medida de cada um


Cada um de nós tem seu peso, sua altura, seu gosto, paladar e preferência própria. Sou feliz por isso. Acredito que não suportaria viver em um mundo de padrões, onde a única religião fosse a unanimidade. O filme “Equilibrium”, com Christian Bale, mostrou muito bem como seria viver num mundo de iguais.
No filme, Christian interpreta um agente do governo cuja função é caçar e exterminar tudo que desperte quaisquer tipos de emoção humana. É uma distopia fantástica. Quem não assistiu, assista.
Por enquanto isso não acontece no mundo onde moramos. Temos o direito de exercer nossa individualidade, mas, existem vários “agentes da unanimidade” vivendo entre nós. Esses são os vulgarmente chamados “Caga Regras”. “Eu prefiro um termo mais polido, como Palpitador Inconveniente”.
Esses querem ditar regras na vida de todos, como se tivessem a receita para a felicidade perpétua da humanidade. Deus de me livre de um dia ser contaminado pela felicidade constante. Se nossos ancestrais fossem felizes o tempo todo provavelmente ainda moraríamos em caverna e comeríamos carne crua. A insatisfação leva a evolução. Mas, voltamos para os policiais do comportamento.
Esses querem dizer o que e como você deve se alimentar. Dizem como você deve educar seus filhos, que horas você deve comer, tomar banho, escovar os dentes e ir deitar. Querem até mesmo opinar sobre a disposição dos móveis dentro de sua casa. Detalhe: Tudo isso sem você perguntar nada!
Quem conhece alguém assim são como são inconvenientes, chatos. Penso até que levam uma vida muito fútil e são muito infelizes, pois do contrário, que outra justificativa teriam para desejarem tanto controlar a vida alheia?
O caga regras talvez seja alguém digno de pena, pois uma outra explicação razoável para seu comportamento é que ele ainda não tenha atingido um nível de evolução que fizesse com que ele perceba a importância da individualidade. Ele pode ainda estar vivendo na mentalidade coletiva, a mesma que forçava as pessoas a se amontoarem em bolos humanos no meio de florestas para se protegerem do frio e dos predadores. Devem estar vivendo como no filme ” La Guerre du Feu”, uma produção francesa de 1981 que retrata a vida nas cavernas e a necessidade de agirem em sincronia para a própria sobrevivência. Graças a Deus esses nossos antepassados eram infelizes e conseqüentemente nem um pouco acomodados. Evoluímos, construímos cidades, criamos sistemas para manter o mínimo de civilização possível, mas ainda somos obrigados a convivermos com algumas pessoas cuja mentalidade não se livrou do primitivo.
Conviver quase que diariamente com pessoas assim exige um tremendo esforço, e numa tentativa de mantermos nossa civilidade, ouvimos, fizemos de conta que estamos prestando atenção e posteriormente ignoramos. Tudo em nome da paz, ou, passamos a nos isolar cada vez mais desse tipo de pessoa, desta vez exercendo nosso direito a grosseria, tentando (geralmente de forma vã), situar o caga regras no século XXI, mostrando para ele que carne se come assada, ensopada ou frita, mas não crua. Lógico que pagaremos um preço alto por isso. Não raramente as pessoas com mais consciência da individualidade são rotuladas de arrogantes, brutas, esnobes e até mesmo violentas quando com violência agem para defender seus direitos. Se não fossem assim não seria verdadeiro o jargão popular que diz que “gentileza gera...Gente folgada”.


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