domingo, 30 de agosto de 2015

Amigos que amam odiar



Adoro meus amigos "inteligentinhos". É sério gente. Não consigo passar um dia sequer sem ler suas analises profundas sobre tudo. Eles entendem de tudo mesmo. Falam de leis de mercado e das profundezas da alma como verdeiros conhecedores de uma verdade única e imutável, e que pertence somente a poucos iluminados como eles.
Eles leem Sartre, Nietzsche, Trotsky e Paulo Coelho, mas esse último eles não assumem, afinal, são humanos e possuem um grau "elevadinho" de hipocrisia, mas não mais elevado do que aqueles que pensam diferente deles, afinal, eles são humanistas. Adoram pregam o amor universal, criticar a fome na África e as intervenções republicanas em países governados por ditadores terroristas. Se for um democrata e negro, tudo bem, afinal, como eu disse acima, eles leem Trotsky e sabem que "a moral deles é diferente da nossa". Aliás, eles abominam a palavra "negro". Eles usam o termo politicamente correto; Afrodescendente. Mas é de boa chamar um descendente de alemães de branquelo pois eles sabem que não existe racismo reverso. Eles sabem tudo, repito.
Odeiam termos que terminam em "ismo". Homossexualismo, Cristianismo, Judaísmo, sectarismo, capitalismo. Só o narcisismo vale, mas esse entra no pacote da "elevadinha" hipocrisia, ninguém precisa saber.
Acordam meio-dia, almoçam as duas da tarde e dormem só depois das quatro da manhã. Durante a noite debatem na internet e tentam converter e convencer o maior número de pessoas para seu redentor estilo de vida. Não acreditam em Deus, pois isso, para eles, é ultrapassado, antagônico e medieval. Eles tem a ciência para adorar. 
Apesar do grande amor pela humanidade eles odeiam os homens. Os homens são malvados, ambiciosos e movidos por motivos torpes como lucrar. Não interessa se as tecnologias que eles possuem dentro de casa foram criadas por homens assim, eles os odeiam da mesma forma.
Falam da emissão de CO2 e de como isso acabará com a vida no planeta a médio prazo (uns falam em curto prazo, mas esses possuem um grau de moralidade muito superior a esses que estou descrevendo, e falar deles é uma Blasfêmias, um pecado punível com a morte).
No fundo eles amam tudo, inclusive amam odiar. Eles possuem autorização para amar odiar aqueles que pensam diferente, aqueles que gostam do capitalismo, de picanha assada e que, vez ou outra jogam uma latinha vazia de cerveja em via pública. Esses são neandertais contemporâneos na visão imaculada deles. Não importa que sejam esses aqueles que arrumam seus telhados, troquem as dobradiças velhas de suas portas, lavem seus carros, e muito menos importa se são esses que trabalham na produção daquilo que consomem diariamente. Eles os odeiam mesmo assim, pois são diferentes. Mas eles, os inteligentinhos, não adimitem esse ódio, e dizem que é por esses que desprezam que lutam por um mundo melhor de dentro de suas salas, em frente aos seus Imac's enquanto degustam um BigMac com uma Coca Light, vestindo seus agasalhos da Nike e fumando um baseado para "esclarecer" as ideias.
Sim, eu amo meus amigos inteligentinhos. Sem eles nesse mundo o que seria de mim? Um neandertal sem ninguém para me criticar?

segunda-feira, 10 de agosto de 2015




Sobre o Facebook, Marx e Engels, capitalismo e revolução industrial

90% dos posts políticos no facebook não passam de militância partidária/ideológica. Dessas, creio que somente uns 20% possuem conhecimento daquilo que defendem, e creiam, estou sendo otimista ao crer em vinte por cento.

Sou capitalista, favorável a um sistema econômico com a menor intervenção do estado possível, e vou até mais além ao afirmar que a expansão do comércio fez mais pela paz mundial do que todos líderes religiosos e políticos juntos. Lógico que para mim chegar nessas opiniões eu precisei ouvir, ver e ler, e depois refletir bastante para chegar a uma ou mais conclusões. Parece que a imensa maioria dos "comentaristas e especialistas de facebook" não fazem o mesmo, principalmente se forem da esquerda que tem como dogma "não ler aquilo que nos refutem".
Pois bem, para poder defender algo preciso conhecer o outro lado, ou seja, para defender o individualismo preciso conhecer os argumentos do coletivismo. Do contrário serei apenas um papagaio, servo adestrado de uma ideologia. E o propósito desse post? É fazer uma espécie de "Mea Culpa" com Marx e seu financiador Friedrich Engels.
A uns dias atrás conclui o estudo dos dois volumes de "O capital". Ignorei o terceiro volume por ser uma obra póstuma. Hoje consegui concluir a leitura de "A situação da classe trabalhadora na Inglaterra", de Engels.
Sempre que leio busco informações em outras fontes, fora do livro, como fiz pesquisando a revolução industrial para entender Engels.

Primeiro, devemos saber separar o Karl Marx sociólogo do Marx economista. Depois devemos comparar o cenário político/econômico da época em que essas obras foram escritas com o cenário atual.
À época não é difícil dar uma certa razão para os "pais do socialismo científico", em suas criticas ao mercado, á forma com que o trabalhador vivia. Durante a revolução industrial é bem verdade que os operários trabalhavam até 15 horas por dia dentro de fábricas, e recebiam muito pouco. Crianças eram contratadas para realizarem a limpezas de fábricas, pois somente o corpo delas passava por um espaço tão estreito. Muitos lamentavelmente sofriam sérios acidentes. Algumas perdiam a vida.
Londres naquela época em praticamente nada se assemelha aos dias de hoje. Talvez apenas o clima continua igual. O Tamisa era usado como fossa coletiva. A expectativa de vida não chegava aos 40 anos, a metade de hoje. Não havia saneamento, não havia higiene, tampouco conhecimentos sobre doenças facilmente combatidas nos dias atuais. A população londrina cresceu vertiginosamente com o êxodo da "lavoura para as fábricas", e isso piorou a situação da cidade e de seus moradores. Então a revolução industrial foi ruim e Marx e Engels estavam corretos? Sim e não.
O começo da expansão do comércio foi truculento, bruto. Levou alguns anos para a produção em série de artigos, até então exclusivo à aristocracia e aos burgueses, como casacos de couro, chegarem na casa da classe operária. Porcelana, vidros, tapetes, roupas e carne eram itens que passaram a fazer parte da vida dos operários graças a revolução industrial. A médio prazo essa foi a revolução que mais beneficiou os pobres europeus. Aumentou a expectativa de vida, pôs comida de qualidade na mesa dos operários e com a demanda em alta associada a agilidade das máquinas, possibilitou ao trabalhador reduzir sua jornada de trabalho e passar mais tempo com a família, o que automaticamente aumenta os laços de afeto. Lógico, como bem lembrou Leandro Narloch em um de seus livros; O tempo ocioso também levou alguns para bibliotecas, para "ágoras", onde passaram a criticar o capitalismo, ou seja, criou os "intelectuais".

Para finalizar, penso hoje que, se Marx e Engels tivessem esperado mais 40 anos para escreverem O manifesto comunista, certamente o livro não teria sido escrito, ou o teor da obra seria outro, oposto ao que eles defendiam. Contudo não há como criticar tudo que eles escreveram, principalmente quando em paralelo á suas obras também estudamos a situação da Europa no tempo em que eles as escreveram.

Obras que inspiraram essa opinião:

*O capital, Volumes I e II (MARX, Karl)
*Guia politicamente incorreto do mundo (NARLOCH, Leandro)
*A situação da classe trabalhadora na Inglaterra (ENGELS, Friedrich)
*A mentalidade anticapitalista (MISES, Ludwig Von).





E se Rousseau estiver errado?

Baseado nas ideias de Rousseau, politicas educacionais tendem a deixar as crianças livres de doutrinas disciplinatórias para que as mesmas não sejam influenciadas pelos "adultos corrompidos" e suas crenças. Para o filósofo iluminista nascido na Suíça, as crianças nascem puras, isentas de maldades, sem tendencias a selvageria, ao contrário dos demais animais. Mas se esse pensamento estiver errado?
Outros pensadores, inclusive com base no darwinismo, acreditam que uma criança é um pequeno selvagem que precisa ser civilizado e para isso é necessário uma educação pautada em princípios de ética e moral, geralmente vigentes na cultura em que a criança está inserida. No caso do mundo ocidental, a religião (Cristã), exerce muito bem esse papel (mesmo eu não concordando com a doutrinação através do medo de um castigo divino).
O catolicismo, protestantismo, calvinismo e outras raízes sérias da doutrina Cristã tem feito muito mais pela civilização ocidental que qualquer governo que já tenha existido (Mesmo que, ao longo da história encontremos casos onde a religião só prosperou com a ajuda do governo, mas isso não vale para os dias atuais).
A religião está em declínio, e isso é fato visível. O problema que se observa em países subdesenvolvidos, com um sistema de educação ineficaz como o nosso, é que não há substituto para a religião que possa manter nosso grau de civilidade. Um pseudo-ateísmo vem surgindo entre os jovens, e sem nada para agregar. A liberdade, usada como justificativa para os "contra religiões", é oca, sem conteúdo, ao contrário do ateísmo que observamos nos países escandinavos. Esses construíram um código de ética baseado em valores ancestrais, paternais, tão disciplinatórios quanto o cristianismo.
No caso do Brasil, um "ateísmo religioso" vem tomando o lugar das religiões tradicionais. Tão dogmáticos quanto o catolicismo, essa nova doutrina enxerga no "politicamente correto" uma espécie de "Tábuas dos dez mandamentos". Apesar de falar em amor a todas criaturas, não medem esforços para silenciar aqueles que pensam diferente. Essa é a finalidade do politicamente correto; O nivelamento das opiniões, e consecutivamente do comportamento.
Casamentos pluralistas, aborto e liberação das drogas são ideias defendidas por essa nova religião. Mesmo aqueles que não concordam plenamente com alguma delas, "respeitam" a liberdade de pensamento, mas, somente se você não defender valores tradicionais, pois nesse caso você é um párea, anátema e que precisa ser "combatido". Mostrar os seios em frente de uma igreja, ou introduzir objetos sacros no anus pode. É liberdade de expressão. Mas dizer que não podemos receber imigrantes devido nossos problemas econômicos não pode, pois é rotulado de "discurso de ódio".
Russell Kirk deixa muito evidente em sua monumental obra "A politica da prudencia" o que pode acontecer com a civilização ocidental caso o cristianismo venha a ruir. Seria muito pior do que aconteceu com a Europa com a queda de Roma, e para provar isso basta olharmos ao nosso redor. Temos umas das mais perigosas gerações da história da humanidade. Cegos pela nova religião e crentes de que possuem o poder de dar um "reset" na sociedade atual e construírem uma nova, pautada no politicamente correto e na "tolerância condicionada", e negar que Rousseau não teve participação nisso é negar o óbvio. Nascemos perfeitos e puros, isentos de selvageria e maldade? Ou precisamos ser civilizados para que a convivência harmoniosa possa continuar existindo? A geração "ateísta" responde a questão, sem abrirem a boca. Basta os observarmos.


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Resultado catarinense no Enem

Santa Catarina deu um vexame no Enem, e mostrou para todos que a propaganda do governo estadual em nada reflete a realidade vivida por alunos e professores da rede estadual de educação.
Movido pela curiosidade resolvi pesquisar as colocações das escolas imbitubenses da rede estadual, e para meu espanto a melhor coloca ficou na posição de número 1941 no ranking nacional, e como já era de se esperar é uma escola particular. A segunda colocada ficou na posição de número 6654. 
Seis escolas de nossa cidade apareceram na lista. Confiram a colocação de cada uma, assim como as médias por matéria.





Porque será que sentimos medo de falar exatamente aquilo que pensamos? O que nos leva a auto censura? O medo de "agredir" os tímpanos alheio, ou o medo do que pensarão de nós? De qualquer forma, é hipocrisia pura. Não digo que a hipocrisia seja de todo má, afinal, sem ela viveríamos em conflitos eternos, com outros e conosco mesmo. A hipocrisia, na medida certa, é o lexotan da vida social. Imaginem por um instante você e sua esposa numa pizzaria com vários casais amigos, e, de uma forma mágica seu poder de dissimular suas opiniões some. Sua primeira reação, creio, será ficar calado. Mas se a esposa de seu amigo, linda e de corpo escultural, mas com um Q.I análogo á temperatura do Ártico, lhe perguntar o que você acha dela? Ou se aquele amigo que você inveja por ser mais bem sucedido que você te perguntar o mesmo? A guerra estaria a um passo de se iniciar.
A hipocrisia deve ser brindada todos os dias. Nossa capacidade de dissimular e fingir nos previne de voltarmos à era medieval, ao paleolítico, até. Se nossas palavras são nosso corpo, nossos pensamentos são nossa alma, e a julgar pelo que pensamos e desejamos, vamos todos para o inferno.
Um brinde aos meus vícios, pois minhas virtudes muito facilmente me deixam entediado.
Nelson Rodrigues e Luiz Felipe Pondé estão mexendo com minha cabeça.